- Capítulo Primeiro -
O Sol raiava alto no céu quando acordou, Alício, rapaz reservado, sem muitos caprichos e expectativas na vida. Se uma
palavra o pudesse definir, esta palavra seria apático, não se preocupava muito com o que ia ser, ou quem iria pensar o que
dele. Via nas coisas simples da vida, uma espécie de fractal da repetitividade. Embora não soubesse com certeza o significado
da palavra.
Foi quando decidiu, que debaixo daquele sol de uma tarde particularmente quente de Primavera, iria à arvores do lago
que ficava abaixo do vale onde vivia. Preparou algum alimento, pois decidiu passar o resto do dia lá, vestiu-se com uma roupa
qualquer e, mochila na mão, rumou ao velho lago.
O trajeto não havia lhe contado nada de novo, as mesmas arvores, os mesmos animais presos em suas cercas de arame
farpado enferrujado, as mesmas carroças passando pela estrada que ladeava um dos lados do vale. Alício acabou por
arrepender-se de não ter levado algo para se proteger do sol durante o trajeto, mas continuou mesmo assim, aquele dia que
cozia a morbidez como uma panela de pressão, de alguma forma prometia.
chegou ao lago e olhou ao redor, ninguém por perto, a não ser o mormaço quente, resultado da força extrema do Sol, lacerando as aguas do pequeno lago, que tinha um reflexo verde esmeralda naquele dia. Alício não reparou, mas
procurou um lugar decente para se sentar. Se encostou no tronco da arvore, abriu sua mochila e retirou um livro velho que
havia pertencido a uma tia de seu pai, o assunto do livro não interessava muito a Alício, pois ele não o lia, apenas ficava
como livro aberto no meio, apoiando-o nos joelhos curvos a altura dos olhos, fazia aquilo por gosto, para parecer que era culto,
para mostrar a quem quer que estivesse olhando que ele ainda se importava com algo. Nunca leu uma palavra do velho exemplar
de Sidney Sheldon.
Alício ficou ali, por algumas horas, tempo suficiente para se permitir mover e alcançar a sombra da arvore que
fugia dele, resultado do movimento solar no céu. Estava olhando para a grama pisada, sorriu ao ver que a grama formava algo que
parecia um ninho de um pássaro que ele havia visto na TV.
Neste exato momento, Alício ouviu, ou pelo menos tentou ouvir, o que parecia ser uma voz, junto com um silvo, nas
verdade um silvo agudo e irritante, que lhe vibrava nas orelhas como uma voz, "Hei! Você ai! Olhe para cá!" a voz dizia num
tom de pedido de ajuda. Alício olhou ao redor, não viu nada, não sabia de onde vinha a voz, pois era tão aguda que parecia
sair de dentro de sua cabeça cozida pelo calor. "Hei! Você! Aqui! No Lago!" a voz tornou a trincar nos tímpanos de Alício,
que olhou imediatamente para o lago, que, não havia reparado Alício, mas estava com a água num tom azul turquesa muito
bonito. Olhou até se acostumar com a luminosidade extrema do lago. Foi quando percebeu uma silhueta mais escura na agua do
lago. Aproximou-se com cautela da borda do lago, percebeu que o vulto dentro da agua se movia como os cabelos das meninas em
uma brisa de outono passado. "Venha aqui rapaz! Não tenha medo! Não vou lhe fazer mau! Apenas quero conversar!" a voz disse
em tom sociável, porém não menos irritante. Alício sentiu um calafrio correr suas espinha, ninguém havia lhe requisitado tal
favor! Nem ele ao menos se achava tão interessante a ponto de ser alvo de uma conversa. "Um diálogo?!" pensava, com certa
euforia.
Aproximou-se da borda do lago. "Me diga, sobre o que você quer conversar?" disse ele com a melhor pronuncia que ele
podia ter naquele momento, não falava muito bem, sempre embaralhava as palavras, pois elas vinham à sua boca, na mesma
velocidade que iam embora. "Chegue mais perto amigo!" o silvo tilintou. "Um pouco mais" após Alício ter dado o meio passo que
lhe faltava para mergulhar o lago. "Impossível! Se avançar mais cairei dentro do lago" disse ele num tom responsável, como
fosse um gravação em sua cabeça, de uma das infinitas recomendações de sua mãe. "Além disso, não sei nadar!" Completou ao
mesmo que se lembrava do fato.
"Não tem problema, neste ponto está muito bom! Agora já posso ver com quem falo!" A voz menos estridente neste ponto,
"Ahhh como fazia tempo que eu não via alguém dai de fora! Sinto saudades do tempo em que olhava para cima e via mais de sua
gente em volta do lago!" a voz num tom saudosista."me conte rapaz! como andam as coisas ai no seu mundo?" indagou a voz a um
Alício que não conseguiu encontrar palavras para descrever as diferenças (se é que elas haviam) entre os tempos passados e o
"tempo dele" como o pai sempre dizia. Alício acabou por realizar que estava conversando com um peixe grande e velho, uma
traíra ao que parecia para ele. "Sabe rapaz, eu já vi muita gente nesta vida, mas nunca vi ninguém como você antes, você
parece meio amedrontado! Não fique assim! Sou um bom peixe, apesar das rugas e da bengala" A velha traíra disse num tom
amigável. E os dois conversaram por algum tempo, falaram sobre o tempo, a velha traíra lhe contou sore como eram os velhos
tempos e quando o assunto acabou conversaram novamente sobre o tempo. "Está muito quente ai não?" a Traíra perguntou.
"Bastante" Alício exaltou. "Por que você não entra no lago para se refrescar?" a Traíra indagou. "Não sei nadar" Alicio
respondeu num tom de desculpas. "sabe garoto, o mundo aqui embaixo é bem mais interessante do que ai em cima!" a Traíra
respondeu num tom animado. "Não sei" disse Alício, "Talvez poderia ser, mas não tenho vontade de conhecer nada novo". Então a
Traíra sorriu com o canto da sua boca horrenda. "Eu lhe ajudo a decidir!" a Traíra disse armando sua bengala em direção ao
pobre rapaz, que naquele momento, percebeu que não se tratava de uma bengala e sim de um arpão na forma de um ferrão de
arraia. E se a natureza foi uma entidade maligna em algum tempo, foi o tempo que que criou o ferrão, pois não existe nada
mais horrendo e dolorido do que um objeto destes.
A Traíra armou o arpão rapidamente, e embora fosse velha, lançou-o com uma força tremenda em direção ao garoto, que
ao ser atingido pelo míssil sentiu seu lado esquerdo do peito ser rasgado pelos dentes do arpão. Alício pendeu-se para traz
com a força da lança, mas logo foi puxado para o fundo do lago quase sem consciência. As imagens que via em flashes se
resumiam numa dança de mandibulas se atacando, mandibulas hora grandes e cheias de dentes, hora finas e com dentes menores e
mais ossudos. Alício sentiu também a água preenchendo seus pulmões e adormeceu.
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medoo..medoooo!!!
ResponderExcluirainda acho que esse título é uma alusão ao ALicenopaísdaspossibilidades *-)
ResponderExcluire vc podia ter arrumado os erros de português antes de postar né? :$
Oh shit! Quando sai o próximo capítulo? o_O
ResponderExcluirEu acho que já está na hora de colocar essa bunda cheia de furúnculos na cadeira e postar o segundo capítulo. Afinal de conta a "Alíciomanía e a Trairagem" nos rondou por um longo período.
ResponderExcluir.... Agora fiquei curiosa ....
ResponderExcluirFavor postar o próximo capítulo =D
hehehe
bjus
ps: criatividade fera! HAHA